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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Hoje não tive aula na parte da manhã, fui cuidar da aparência e depois fui à escola para resolver as questões da festa junina... como a previsão é de chuva para o fim de semana, a festa foi adiada... com mais tranquilidade fiquei batendo papo na escola. Conversar sobre coisas bobas e poder fazer piada das coisas é gostoso... dei muita risada e voltei pra casa bem.
O dia transcorreu bem... estou bem.
Terça foi dia dos namorados, mas como estava  triste, não tive vontade de escrever. Queria ter contado sobre meu primeiro presente de dia dos namorados. Lembro perfeitamente bem.
Eu estava na quinta série, o Giuliano Guimarães também. A Gisele gostou dele durante um tempo, mas depois ele acabou se interessando por mim e no dia dos namorados de 1986 ganhei dele, entregue por um bando de meninas alcoviteiras que até hoje são comuns, um perfume. Como gostei... me senti a tal... 
Meus namoricos começaram cedo, mas não beijei nenhum deles até o dia que conheci o Fauzi Marcelo. Queria tanto saber o sobrenome dele para poder procurá-lo na internet... não me lembro do rosto dele... queria lembrar.
Como eu já estava com 13 anos e nada de beijar, minhas amigas já estavam preocupadas com meu atraso. Faziam campanha e eu nada. Até que fui passar férias na casa do meu pai em Maringá.
A Monalisa tinha um namoradinho que causava grandes transtornos lá em casa. Todos eram contra o namoro. E proibir adolescente é o mesmo que o incentivar... ela e o Antônio se encontravam as escondidas já fazia 3 anos. Sempre que eram pegos, o início de uma guerra se estabelecia... Na época era complicado estar no meio das confusões... Hoje dou risada das loucuras.
O Antônio tinha um primo: Fauzi. Como minha fama de boca virgem (na época não usávamos o termo bv) já tinha chegado no Antônio e eu muitas vezes era cúmplice dos encontros amorosos ele resolveu resolver dois problemas de uma vez... me jogou pra cima do Fauzi, ou melhor... jogou o Fauzi pra cima de mim... eu com 13 ele com 16... nos encontramos umas 3 vezes antes de trocarmos o nosso primeiro beijo. 
O tão esperado dia chegou... era uma tarde de calor e eu e Fauzi combinamos que nos encontraríamos no parque Ingá... só nós dois, sem que ninguém estivesse pressionando... deu certo... dei meu primeiro beijo encostada numa árvore... acho que sou capaz de saber o lugar exato da árvore se eu for lá hoje.
Foi bom, e eu estava me sentindo moça... me achando.
Um ou dois dias depois desse encontro o Antônio e a Mona tiveram a ideia maluca de se encontrar dentro do quarto da Mona enquanto meu pai e a Gládis estavam na sala assistindo tv. Loucura total. 
Para me fazer compactuar com a loucura o Fauzi foi junto. Meu pai morava no primeiro andar, mas mesmo assim era uma escalada e os meninos fizeram-na sem grandes problemas... ficamos lá por uma hora ou pouco mais... a adrenalina era tanta que me lembro desse dia perfeitamente.
A Gisele batendo na porta incansavelmente e nos lá dentro com som alto fingindo que estávamos de saco cheio dela. Nesse dia, com pena dela, o pai lhe deu de presente um rádio novinho que ele tinha guardado no seu quarto... certamente fruto de algum contrabando que ele fez vistas grossas num de seus plantões na receita estadual.
O Fauzi sentou no chão e eu deitei minha cabeça nas suas pernas, foi tão gostoso passar aquele tempo recebendo carinho... até hoje gosto de deitar assim e sentir o toque nos meus cabelos...
 Vou procurar a música que marcou esse dia. Se encontrar vou postá-la
Minhas dificuldades familiares sempre me fizeram encontrar refúgio nos relacionamentos amorosos com os homens que passaram na minha vida... não foram tantos, mas me apaixonei por 80% deles e sofri quando os perdi.
 Achei a música, demorei um pouco, mas encontrei. Faz parte da trilha sonora do filme Rambo III. Nunca assisti nenhum dos filmes do Rambo, mas fizeram muito sucesso nos anos 80.
A tradução dela me deixou pasma... 
tocava no rádio uma música que ficou na minha cabeça por 23 anos, sem que eu soubesse sua tradução. 
E agora eu me deparo com algo com que me identifico tanto. 
Quantas e quantas vezes depois eu teria força para carregar as pessoas que eu amava... Eu tinha a chave para abrir as portas... mas não puseram fé em mim... foram embora. Usei minha força para me reconstruir e a porta continuou fechada.
Agora estou aqui num momento de reclusão absoluta, desacreditando da humanidade... mas quero crer que isso vai passar... que vou voltar a olhar as pessoas como seres bons...
Que vou poder deitar de novo minha cabeça no colo e fechar meus olhos e dormir confiando que não serei apunhalada pelas costas, como tantas vezes fui...
Vou poder ouvir a música e não pensar em mais nada... 
E assim o sol vai brilhar...
 


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ontem não escrevi nada, cheguei bem cansada e meio triste... um acidente na estrada indo para o Paraguai, matou 9 castrenses. Não tinha amizade com nenhuma das pessoas, mas conhecia alguns e a Mara tinha pessoas bem próximas a ela que estavam na van... coisa mais triste.
3 pessoas de uma mesma família, meu Deus, que tristeza!
A Neusa me contou que vai levar o Dirceu Moisés lá pra escola, não deu certo lá no Nisgoski... Como pode uma escola decair tanto!
Há bem pouco tempo, na época que o Carlos era diretor, a escola era polo de educação inclusiva, Hoje não é mais, a ponto da direção da escola dizer que não tem mais nada que se possa fazer. 
Me lembro muito bem que quando começaram as novas regras para a inclusão, eu e alguns poucos corajosos se colocavam contra uma inclusão feita as escuras... fomos  taxados de insensíveis.
Claro que a inclusão caminhou e todos tivemos que nos adaptar... uns mais e outros menos... mas a inclusão está aí, querendo ou não.
Só que os professores "bonzinhos" que antes apoiavam lunaticamente a ideia, são os mesmos que hoje a criticam quando não tem ninguém olhando... Os trabalhos de adaptação que se fazem fundamentalmente necessários não ocorrem... a parceria com a professora de recurso se resume em uma reunião totalmente regada à falta de ética... e os alunos inclusos estão participando do convívio social, mas não estão aprendendo nada, ou quase nada. 
Eu me sinto uma besta quando tenho alunos que precisam da minha ajuda e eu não sei como os ajudar... eu tento, mas vivo na pele aquele ditado que diz que de  boa intenção o inferno está cheio.
Nós educadores não podemos ter intenções, temos que ter planos e metas para alcançar e não temos o direito de errar como estamos errando. Para isso precisamos de capacitação e força de vontade.
Não sei se o Dirceu vai para a minha turma ou para a turma da Silmara, mas se for meu aluo, desejo de verdade, poder contribuir de fato para seu crescimento intelectual. Sei que não será tarefa fácil. Conheço-o como filho da uma colega, não com aluno...  Sei que existe diferença entre esses dois status. 
Estou meio revoltada com a hipocrisia... mas já sei que não adianta nada... vou trocar o Pedro, colocá-lo para dormir e jogar um pouco... 




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Hoje o sol deu as caras... mas foi coisa rápida... as paredes estão suando, as roupas não secam e o ar está abafado... todos os indícios remetem a mais chuva... Tomara que não se confirme... não aguento mais esse tempo feio. 
O fim do bimestre está aí e estou cheia de coisas para corrigir, provas para preparar... estou cansada só de pensar.
Passei o dia todo tralhando muito e corrigindo provas... estou exausta.
O Pedro está aqui do meu lado, com soninho... coisa mais linda... ele é tão carinhoso.
Está numa fase tão lindinha, agora a gente consegue perceber que ele está entendendo nossa fala e interagindo... O Fernando brinca com ele de falar as letras e contar... ele faz direitinho... 
Já o Gui ensina porcarias... eu tento evitar, mas o pequeno aprende logo... Se ele é contrariado, chama a gente de "bu" o que ele e nós sabemos que significa burro... damos risada, mas já falei sério com o Gui. 
Agora é fofo e engraçadinho, mas logo vai ser inconveniente e desagradável...
Dos três, o Pedro é o que mais tem me dado trabalho... ele mexe muito nas coisas... Não dá pra deixar nada ao alcance das mãos dele... pior é que ele quebra as coisas... 
Mas ele é amoroso demais, aprendeu a falar "te amo" e é a coisa mais fofa desse mundo... quando quer minha atenção ele me abraça por traz e me enche de beijo... e eu resisto?! Que nada... me derreto toda... 
Quando deito com ele, antes de dormir ele me diz "me abace" e levanta os bracinhos... é muito bom.
Ele é lindo, aliás meus três filhos são lindos. 
O Gui faz muito sucesso com as meninas... o Fernando está na idade que eles ficam feinhos, mas assim que trocar os dentes e colocar aparelho, acho que vai ficar ainda mais bonito que o Gui. O Fê tem um biotipo maior. 
Preciso dormir... amanhã tem mais um monte de textos e provas pra eu corrigir.
Preciso das férias... ainda bem que logo estão chegando.

domingo, 10 de junho de 2012

São 22:30 e eu estou com sono, fiquei na sala assistindo fantástico e fazendo tricô... estava querendo ouvir especialistas sobre o caso da mulher que esquartejou o marido... entre  os especialistas está a Dr Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro Mentes Perigosas. Esse livro mexeu muito comigo, reconheci o Moacir em muitos momentos do texto. Quero relatar com calma a relação que tive com ele. Farei isso um outro dia. 
Gostei tanto do livro que comprei outro: Mentes Ansiosas, achando que me identificaria nele...não me reconheci... mas o livro é muito bom... Gosto da forma que ela escreve, consegue tornar acessível termos médicos complicados. 
Hoje vi um documentário fantástico sobre uma família. Preciso encontrar, para passar para meus alunos. 
Família Braz - dois tempos... 
Não costumo passar filmes para meus alunos, só faço isso quando vejo que realmente tem uma lição legal. Me lembro de ter passado Tropa de Elite 1 e A procura da felicidade.
Esses dias a Carol ainda comentou sobre a frase que se tornou inesquecível para ela do 2º filme... é isso que quero... Respeito profundamente meus alunos e sei da capacidade deles... tenho a obrigação de ajudá-los... 
Sou uma das professora mais chata que eles têm, ao menos isso acontece no Amanda. Eles têm alguns professores sem domínio de conteúdo e de turma... Eu domino os dois... e tenho comigo algumas filosofias educacionais que requerem muito trabalho... Aí tem pouca gente que quer trabalhar...
Engraçado é ouvir meus colegas falarem dos problemas sociais... e contribuírem passivamente com eles. Quanto a chatice, não me importo... sempre recebo mensagens de ex alunos que e lembram do bem que fiz por eles... é daí que vem minha alegria... Quando eles caem na vida real se lembram que fiz bem para eles... 
Brinco com eles dizendo que sou que nem remédio... Sou ruim, mas sou para o bem... 
Os tempos modernos e as interpretações equivocadas das leis, contribuem para que os adolescentes não obedeçam ou respeitem a autoridade, primeiro dos pais e depois dos professores... Temos vivido momentos difíceis... Tem alunos que nos agridem... nos xingam... Não é fácil... Se fazer respeitar é um trabalho cansativo e árduo... No Amanda acho que já consegui mostrar quem sou... por isso eles me vêm como chata, mas não me afrontam mais.
Hoje não estou boa para pensar e escrever.
Lembrei agora que tive um pesadelo horrível (pleonasmo)... uma mistura de coisas... acordei assustada... não consegui mais dormir... mas já era manhã.
Hoje choveu o dia todo, outra vez... Acho que não fez sol em junho, ainda.

sábado, 9 de junho de 2012

Tendo Coca-cola e vina, eu e o Pedro estamos garantidos. Aprendi fazer um arroz de forno como vina... não dá trabalho nenhum e fica maravilhoso... Fiz uma salada de rúcula para acompanhar. Quando estamos sozinhos, primeiro dou de comer a ele e depois me sirvo... como ele come o dele e depois belisca o meu, já sabia que quando ele visse a rúcula inteira no meu prato, mais que de pressa me roubaria algumas folhas. Não sei se ele faz isso para me imitar ou se realmente gosta de rúcula... 
Essa cena me remeteu a um dos episódios mais marcantes da minha adolescência:
Rua da Glória, ano 1990.
Enquanto menina, sempre fui magra, embora comesse muito bem e de tudo. Não gostava muito de doce, acho até que não gostava mesmo de doce.
Me lembro dos lanches que tinham na casa da vó Gilda, depois que as velhas amigas iam embora, era hora dos netos comerem os "restos". Sempre tinha um bolo de suspiro com morangos que era a sensação de todos, menos de mim... sei lá o porquê. Outra situação que me lembro sobre doces está ligada ao vô Joãozinho. Sempre que nos encontrávamos na casa do pai, meu vô gostava de brincar comigo dizendo que me daria ambrosia... ele sabia que eu ficava com nojo e dava muita risada de mim. 
Ambrosia é um doce de ovo, com calda ultra doce... nunca mais vi esse doce... ainda bem.
Bom, explicado meu gosto, volto ao ano de 1990.
Se doce não era minha preferência, algo que eu gostava muito era comer coisas azedas... pepino em conserva (me lembro de comprarmos na feira de sábado um que nunca mais encontrei igual), limão com sal e salada... muita salada.
Um dia, depois de ter arrumado a cozinha fiz uma salada de repolho com maionese, levei para o meu quarto e comi. Delícia... mas esqueci o prato debaixo da cama e a Marion viu. O que tive que passar por causa disso foi um absurdo.
Só posso acreditar que ela achava que eu comia saladas para ser magra e assim afrontar sua gordura... tamanha foi sua ira.
Apanhei muito nesse dia e de castigo ela me disse que se eu queria ser magra então agora ela ia me ajudar... e me deixou sem comer por dois dias inteiros... me lembro de ter comido apenas um pão, que a Gisele conseguiu levar pra mim, escondido. Absurdo dos absurdos.
Fico aqui tentando me lembrar da reação do Ney nessa situação, mas não lembro nada...
Algumas vezes ele vinha falar comigo e me dizia que eu tinha que rezar para pedir ajuda pra Deus, mas ele não fazia nada por mim... pelo menos eu não via.
O Ney Schimmelpheng era meu padrasto... eu gostava muito dele... acho que gostei mais dele do que da Marion. Pensar nele, agora me fez chorar... Mas ele não fez nada pra me ajudar e eu não sabia que deveria ter pedido ajuda..
No final dos dois dias de jejum, a Marion me chamou para que eu comesse...
Ela tinha encomendado um cento de bombons recheados com morango, me fez quebrar  jejum comendo doce... Por que ela fez isso comigo??? Meu Deus por quê??
Esse episódio aconteceu há 22 anos e eu ainda sofro com ele... Todas as vezes que faço salada de repolho ou que como um bombom, me lembro... Ela foi cruel.
Meu peso na época era 45 quilos... hoje que estou mais gordinha estou com 50... nunca fui gorda, não como mais nada com vinagre, porque não gosto mais do gosto... as verduras são temperadas com limão aqui em casa... e nem por isso engordei... do fundo do coração... nunca me alimentei para afrontar a obesidade da Marion ou da Gisele. 
Hoje, até gosto mais de doce... 
Preciso aprender a não sofrer com essas lembranças.

Ambrosia

ingredientes

  • 1 lata de leite condensado
  • ½ litro de leite
  • 4 ovos

modo de preparo

Leve ao fogo o leite condensado com o leite e deixe ferver em panela de fundo largo, e reserve. Bata as claras em neve, acrescente as gemas uma a uma, e continue batendo até que fique bem leve. Despeje no leite fervendo e deixe cozinhar em fogo baixo. Quando a parte de baixo estiver cozida e firme, corte em quatro e vire os pedaços com o auxílio de uma espátula, para que cozinhem por igual. Retire do fogo e coloque em compoteira. Acrescente cravo e canela. Sirva o doce gelado.

Não sei se essa receita é boa, também nunca saberei... me recuso a comer...

PS para o neto-escritor: Vina é o nome que nós paranaenses do leste e sul, damos para a salsicha. 
Pelo pouco que sei sobre variantes linguísticas, vina vem no alemão vina wurst... vou pesquisar melhor sobre esse regionalismo...


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Hoje o dia está muito preguiçoso e eu compartilho do mesmo sentimento...
Acordei tarde... 9:00, foi muito bom. Assisti muita tv e fiz um pouco de tricô... 
Já estou com sono e logo devo estar dormindo... delícia... me falta muito pouco pra ser absolutamente feliz, hoje!
Ouvi um cantor que eu não conhecia... sua música é muito inteligente... 
Pena que não faça sucesso num país de ignorantes...
Maurício Pessoa
A letra é fantástica...
Boca no lodo
Sai da janela menino olha a bala
Por onde anda menino olha a vala
Sai do colégio mal escreve e mal fala
Com lápis sem ponta ele aponta é uma arma

Sai da prefeitura o prefeito com a mala
Com o dinheiro da obra da vala
Diz que abre o sigilo da conta do banco
Desliza o barranco na gente que rala

Rala a mandioca e nada na panela
Olha a mulher do prefeito olha ela
Maloca o dinheiro na bota de couro
Cadela de brinco e coleira de ouro

Quem paga a fatura e atura é a gente
Sem dente descrente e sorriso banguela
Que chora o menino com a boca no lodo
Que tanto se cala e não vai na janela

Olha menino não vai na calçada
Que na alçada do nosso direito
O crime prescreve e ninguém paga nada
O que não se indefere é tanto desrespeito

Já nessa altura do campeonato
Não desembaraçam antigas mazelas
Candidatos abraçam com o discurso barato
A gente que sabe o final da novela

Com a cara no palanque e no horário gratuito
Com as mesmas promessas com o mesmo intuito
Lesmas sanguessugas cobras no plenário
Vampiros que roubam do pescoço do otário

Quem paga a fatura e atura é a gente
Sem dente descrente e sorriso banguela
Que chora o menino com a boca no lodo
Que tanto se cala e não vai na janela.

Eu vou na janela!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ontem previ que conseguiria dormir até as 8:00 hs. Me enganei. A culpa não foi do Pedro, foi dos cachorros e de mim mesma que não consigo dormir de novo depois que acordo. 
Despertei as 6:00hs. Comecei a ler as notícias do dia pelo celular... queria saber quais eram as últimas do caso do executivo da Yoki. A mulher confessou tê-lo esquartejado... Ela é auxiliar de enfermagem e conseguiu executar tudo sozinha... Que horror. 
Motivo: Suposta traição do marido. Segundo os policiais, ela contratou detetive para descobrir a traição do marido. Imagino o ódio que mantinha, a ponto de esquartejá-lo e jogar seus restos em diferentes lugares. Gosto de ler os comentários depois das notícias, não por que trazem informações relevantes, mas porque mostram o quanto as pessoas são idiotas a ponto de julgar os outros, baseados em sua ignorância penteada para passeio... 
Quando mais jovem, eu queria ter feito medicina para poder ser psiquiatra... me fascina a mente humana. eu queria entender como passamos de normais a loucos em questão de segundos.
Como algumas coisas tomam um tamanho desproporcionalmente maior do que de fato são e como as pessoas resolvem tão distintamente seus problemas. Acho isso fantástico... mas tenho medo da morte... pensar em frequentar aulas de anatomia me afastaram completamente desse meu interesse... 
Entre os comentários das sumidades, muitos se pudessem, executariam a moça da mesma forma como ela fez... outros a rotulam como uma louca ou endemoniada... Para uns, ficará presa até morrer, para outros a indignação, afinal uma pena pequena é certa. Brasil é terra onde ricos não ficam presos e ladrões de fubá apodrecem do xilindró.
A mim me intrigam outras coisas... Quero saber sobre a traição. Imagino uma mulher sendo traída... sua autoestima cai a zero, o sofrimento é avassalador... 
Mas a nossa sociedade está gerando pessoas traidoras... as facilidades para isso são enormes.
Desde muito novos, os adolescentes aprendem que devem experimentar várias pessoas até encontrar a ideal... Como se isso pudesse existir.
Somos condicionados a buscar algo melhor... Oras, se somos humanos, essa procura é loucura, pois todos temos defeitos... 
Estamos aprendendo a descartar as relações, somos egoístas. Pensamos só em nós... e sofremos cada vez mais... assim nos tornamos mais egoístas ainda.
Com isso ganham as industrias que vendem coisas para divertimento individual... 
Não sei se estou certa, mas para mim, estamos fadados ao caus se não tratamos com urgência nossas relações humanas, instaurando com máxima urgência o RESPEITO como elemento fundamental a todo o homem... E punir com pena exemplar quem infringir essa lei. 
Tenho pena dessa mulher que matou seu marido, tenho pena de todas as mulheres traídas. Não porque me solidarizo com elas pela sua dor, mas pela tristeza que é viver sem força e lucidez para enxergar além do desrespeito em que vivem...
Fui traída pelo Moacir, sei a dor que é.... sei o ódio que dá... entender que você ama alguém que não te corresponde é uma das dores mais doídas... mas passa.
E depois de algum tempo ela se torna tão insignificante que é difícil até de entendê-la... 
Eu me acidentei, quebrei minha bacia, queimei todas as roupas dele algumas vezes e comprei tudo de novo. Me humilhei e chorei muito por causa do descontrole emocional. Hoje não consigo entender que tenha sido capaz de tanta loucura... Perdi meu tempo, perdi meu sono, perdi dinheiro... mas tudo passou... e vi que nada valeu a pena... 
Não sei mais dele, nem quero saber... não sinto nada por pessoas que me fizeram mal... elas não existem mais pra mim... 
Há vida, quando se opta por ser livre... Ter a consciência tranquila de não ser culpado de nenhuma maldade te dá o direito de se refazer de tudo, absolutamente tudo!
Feriadão rolando e o Pedro precisa de minha atenção... Vou preparar um lanche bem gostoso para gente... o frio está horrível... mas o quentinho da cama é tudo de bom!