Guardei Sem ter porque Nem por razão Ou coisa outra qualquer Além de não saber como fazer Pra ter um jeito meu de me mostrar
sábado, 29 de setembro de 2012
Ontem era dia de muita correria, sextas-feiras têm sido assim, mas especialmente as últimas do mês.
Compras, contas e a dor nas costas me tiram o pouco de força que me resta.
Mas deve ter sido melhor assim, ontem eu não estava bem para escrever.
Embora seja importante pensar nos sentimentos que me vieram ontem.
Faz dias que estou profundamente triste com o colégio Amanda.
Desde o dia que a diretora me chamou lá para me dizer que os alunos tinhas escrito uma carta sobre mim.
Até eu encontrar a verdade sobre tudo isso, usei de uma força maior do que eu queria dispor. Aparentemente estou bem, mas eu me sei fraca.
Essa fraqueza dura pouco, é certo, mas não gosto de estar assim, pois nessas horas que os ataques menores podem me machucar mais do que normalmente me machucariam.
No Amanda a palhaçada da avaliação dos professores começou. As pedagogas vão até as salas e entregam uma folha para cada aluno responder o que pensam sobre os professores, equipe pedagógica e direção.
Como se eles fossem capazes de julgar seus professores com tanta destreza quanto se dão bem nas aulas e nas avaliações.
Com isso querem o que?
Juntar provas contra um professor ou outro?
Querem melhorar o desempenho dos professores?
Querem melhorar a união da equipe pedagógica que é visivelmente dividida em rainha e subordinados, um absolutamente passivo e outras rebeldes com causa...
Quando questionei a posição de duas linhas pedagógicas diferentes na mesma escola, de forma simplista e medíocre me respondem que não há problema algum nisso.
Então porque me fazem suportar semana pedagógica e a frase costumeira de todo o início de ano "Vamos falar a mesma língua"???
Não falam a mesma língua e se acham no direito de apontar defeitos dos professores.
O PPP da escola está datado de 2006, mas ainda esse ano não estava concluído.
Mas essas coisas os alunos não sabem, não percebem, o que percebem é o professor que está dando sua cara para bater a cada dia. Esse sim é julgado pessoalmente.
E como em terra de macaco o certo é sentar em cima do próprio rabo e falar do rabo do outro, estamos no caminho certo.
Bem, nem sei se certo... já trabalhei em muitas escolas... em quase todas dessa cidade e nada de ver algo tão despótico, tendencioso e patético.
Mas tudo bem... que seja
O que se pode esperar de uma pessoa que não sabe nem o que é meritocracia??
Tenho comigo que nem ler, não lê... opinião pessoal...
Ano passado, como eu estava responsável pelo processo de eleição da escola organizei um debate entre o candidatos que foi um sucesso (há quem se pelando de medo, achasse que não era necessário). Entre as perguntas, estava a seguinte: "O que você pensa sobre meritocracia? E se a favor, qual será sua atitude em relação a isso?"
A resposta não podia ser pior:
"Nossa, a gente precisa de um dicionário para poder responder essas perguntas!" e o que se seguiu depois disso foram abobrinhas e mais abobrinhas de um político enrolando o povo até que o seu tempo para responder acabasse... e deu certinho
Na última reunião pedagógica veio um palestrante que usa um livro de 1920 para mudar o mundo hoje. Pior do que isso é a palestra em si.
Ele resumiu os relacionamentos humanos à uma pirâmide, onde atitude e habilidades somavam juntas 85% do que se precisa na vida e que apenas 15% é o espaço do conhecimento.
Mais importante do que ser bom em algo e necessário abrir as pernas em forma de enlaçar meu interlocutor e me fingir interessado no que ele tem a dizer... política... imagino que teve gente que adorou a palestra... a mim só me valeu a imagem física do palestrante que ao menos reafirmou meu preconceito sobre beleza e conteúdo...
Nessa escola, com essa visão eu trabalho.
Amo meus alunos e meu trabalho, mas lidar com gente medíocre é muito complicado... insuportável até.
Essa semana um professor abandonou as aulas lá na escola porque achou que era insuportável... teve um problema com alunos do 6º ano e pediu ajuda da "Equipe" pedagógica... como a forma deles trabalharem é particularmente fora da realidade o resultado foi o professor abandonando as aulas, uma semana após tê-las assumido.
Imagina como vai sair falando bem da escola?
Num dos recreios da tarde o assunto era esse, na sala dos professores.
Como não é de se estranhar mais, mas eu sempre me estranho e me estresso, uma pessoa desprezível já tratou de massacrar o professor e dizer que quem não tem capacidade de dar aula, devia procurar outra coisa pra fazer. ou se não tá bom a escola, tem concurso de remoção.
Não consigo aguentar quieta quase nada, mas isso é impossível, mais que tudo.
- Não temos o direito de dizer o que o outro deve fazer, principalmente quando o outro não está aqui para se defender e não somos juízes para determinar as coisas para os outros.
Como todo ignorante, esta pessoa sempre acha algo mais absurdo para falar...
Daí pra adiante me dou o direito de levantar e sair.
A escola está incontrolável
A direção é lunática
E ainda tem umas pérolas para defender o indefensável.
Custa olhar realmente para o problema, solucionar o que dá e remediar o que não dá???
Isso é união??
Isso e trabalho em equipe???
Não, mil vezes não!!!
Saí, mas não fui a primeira... quando estávamos na outra sala uma amiga olhou pra mim e deu risada...
Não havia necessidade de nenhuma palavra, concordamos...
Pena que mesmo sendo vários descontentes, muitos preferem o silêncio a enfrentar o problema...
Assim não saímos de onde estamos...
E estamos cavando buraco mais profundo...
Que pena!
Salve-se quem puder!
Estou triste e angustiada, porque queria muito mais para minha escola...
Essa angústia me fez lembrar as crises do tempo de gravidez...
Ontem ao ir para o Jardim, chorei.
Quem dera a direção da escola nos desse a oportunidade de anonimamente também expor nossa opinião sobre o funcionamento da escola. E isso não foi ideia minha, foi uma colega que compartilha da minha angústia.
O lado bom da semana foi que descobri quem é a pessoa falsa que fica levando informações da sala dos professores... é inacreditável o quanto uma pessoa pode ser mau-caráter. Vai lá fuxicar da gente, falar mal de professor... mas o bom desse tipo de gente é que uma vez descoberto ele é facilmente manipulado...
Puxa-sacos, via de regra são burros que pretendem ascender, e sendo assim são falsos, 100% falsos... Falam de nós, falam da direção, falam da equipe, falam dos secretários e fingem que são santinhos, que tem um posicionamento... São perigosos enquanto não descobertos... mas são infinitamente piores que os medíocres...
Essa foi a semana... ela se foi!
Compras, contas e a dor nas costas me tiram o pouco de força que me resta.
Mas deve ter sido melhor assim, ontem eu não estava bem para escrever.
Embora seja importante pensar nos sentimentos que me vieram ontem.
Faz dias que estou profundamente triste com o colégio Amanda.
Desde o dia que a diretora me chamou lá para me dizer que os alunos tinhas escrito uma carta sobre mim.
Até eu encontrar a verdade sobre tudo isso, usei de uma força maior do que eu queria dispor. Aparentemente estou bem, mas eu me sei fraca.
Essa fraqueza dura pouco, é certo, mas não gosto de estar assim, pois nessas horas que os ataques menores podem me machucar mais do que normalmente me machucariam.
No Amanda a palhaçada da avaliação dos professores começou. As pedagogas vão até as salas e entregam uma folha para cada aluno responder o que pensam sobre os professores, equipe pedagógica e direção.
Como se eles fossem capazes de julgar seus professores com tanta destreza quanto se dão bem nas aulas e nas avaliações.
Com isso querem o que?
Juntar provas contra um professor ou outro?
Querem melhorar o desempenho dos professores?
Querem melhorar a união da equipe pedagógica que é visivelmente dividida em rainha e subordinados, um absolutamente passivo e outras rebeldes com causa...
Quando questionei a posição de duas linhas pedagógicas diferentes na mesma escola, de forma simplista e medíocre me respondem que não há problema algum nisso.
Então porque me fazem suportar semana pedagógica e a frase costumeira de todo o início de ano "Vamos falar a mesma língua"???
Não falam a mesma língua e se acham no direito de apontar defeitos dos professores.
O PPP da escola está datado de 2006, mas ainda esse ano não estava concluído.
Mas essas coisas os alunos não sabem, não percebem, o que percebem é o professor que está dando sua cara para bater a cada dia. Esse sim é julgado pessoalmente.
E como em terra de macaco o certo é sentar em cima do próprio rabo e falar do rabo do outro, estamos no caminho certo.
Bem, nem sei se certo... já trabalhei em muitas escolas... em quase todas dessa cidade e nada de ver algo tão despótico, tendencioso e patético.
Mas tudo bem... que seja
O que se pode esperar de uma pessoa que não sabe nem o que é meritocracia??
Tenho comigo que nem ler, não lê... opinião pessoal...
Ano passado, como eu estava responsável pelo processo de eleição da escola organizei um debate entre o candidatos que foi um sucesso (há quem se pelando de medo, achasse que não era necessário). Entre as perguntas, estava a seguinte: "O que você pensa sobre meritocracia? E se a favor, qual será sua atitude em relação a isso?"
A resposta não podia ser pior:
"Nossa, a gente precisa de um dicionário para poder responder essas perguntas!" e o que se seguiu depois disso foram abobrinhas e mais abobrinhas de um político enrolando o povo até que o seu tempo para responder acabasse... e deu certinho
Na última reunião pedagógica veio um palestrante que usa um livro de 1920 para mudar o mundo hoje. Pior do que isso é a palestra em si.
Ele resumiu os relacionamentos humanos à uma pirâmide, onde atitude e habilidades somavam juntas 85% do que se precisa na vida e que apenas 15% é o espaço do conhecimento.
Mais importante do que ser bom em algo e necessário abrir as pernas em forma de enlaçar meu interlocutor e me fingir interessado no que ele tem a dizer... política... imagino que teve gente que adorou a palestra... a mim só me valeu a imagem física do palestrante que ao menos reafirmou meu preconceito sobre beleza e conteúdo...
Nessa escola, com essa visão eu trabalho.
Amo meus alunos e meu trabalho, mas lidar com gente medíocre é muito complicado... insuportável até.
Essa semana um professor abandonou as aulas lá na escola porque achou que era insuportável... teve um problema com alunos do 6º ano e pediu ajuda da "Equipe" pedagógica... como a forma deles trabalharem é particularmente fora da realidade o resultado foi o professor abandonando as aulas, uma semana após tê-las assumido.
Imagina como vai sair falando bem da escola?
Num dos recreios da tarde o assunto era esse, na sala dos professores.
Como não é de se estranhar mais, mas eu sempre me estranho e me estresso, uma pessoa desprezível já tratou de massacrar o professor e dizer que quem não tem capacidade de dar aula, devia procurar outra coisa pra fazer. ou se não tá bom a escola, tem concurso de remoção.
Não consigo aguentar quieta quase nada, mas isso é impossível, mais que tudo.
- Não temos o direito de dizer o que o outro deve fazer, principalmente quando o outro não está aqui para se defender e não somos juízes para determinar as coisas para os outros.
Como todo ignorante, esta pessoa sempre acha algo mais absurdo para falar...
Daí pra adiante me dou o direito de levantar e sair.
A escola está incontrolável
A direção é lunática
E ainda tem umas pérolas para defender o indefensável.
Custa olhar realmente para o problema, solucionar o que dá e remediar o que não dá???
Isso é união??
Isso e trabalho em equipe???
Não, mil vezes não!!!
Saí, mas não fui a primeira... quando estávamos na outra sala uma amiga olhou pra mim e deu risada...
Não havia necessidade de nenhuma palavra, concordamos...
Pena que mesmo sendo vários descontentes, muitos preferem o silêncio a enfrentar o problema...
Assim não saímos de onde estamos...
E estamos cavando buraco mais profundo...
Que pena!
Salve-se quem puder!
Estou triste e angustiada, porque queria muito mais para minha escola...
Essa angústia me fez lembrar as crises do tempo de gravidez...
Ontem ao ir para o Jardim, chorei.
Quem dera a direção da escola nos desse a oportunidade de anonimamente também expor nossa opinião sobre o funcionamento da escola. E isso não foi ideia minha, foi uma colega que compartilha da minha angústia.
O lado bom da semana foi que descobri quem é a pessoa falsa que fica levando informações da sala dos professores... é inacreditável o quanto uma pessoa pode ser mau-caráter. Vai lá fuxicar da gente, falar mal de professor... mas o bom desse tipo de gente é que uma vez descoberto ele é facilmente manipulado...
Puxa-sacos, via de regra são burros que pretendem ascender, e sendo assim são falsos, 100% falsos... Falam de nós, falam da direção, falam da equipe, falam dos secretários e fingem que são santinhos, que tem um posicionamento... São perigosos enquanto não descobertos... mas são infinitamente piores que os medíocres...
Essa foi a semana... ela se foi!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Muito frio, agora a temperatura está 11°C diz meu celular, mas a sensação é de que voltamos ao inverno. Pior que ontem, porque não tem sol e o vento fica ainda mais gelado.
Dormi gostoso. O Pedro é muito bom para aquecer a minha cama... acho que ele também pensa assim de mim... dormimos grudadinhos e deu uma preguiça de levantar da cama. Ainda mais quando acordo com meu pequeno me passando a mão quentinha no rosto e me dando beijinhos. É bom ter filhos pequenos porque eles não tem vergonha de demonstrar o que sentem e nos beijam o tempo todo. Ontem fui ver se os maiores estavam bem cobertos e dei um beijo no Fernando relembrando o tempo em que ele me pedia para ir cobri-lo. Todas as noites me pedia: "Vem me cobrir?!" eu ia, sempre, mas as vezes achava desnecessário. Hoje sinto falta de tê-lo assim tão próximo.
Quando relembramos, ele sorriu... sei que está crescendo e se afastando naturalmente de mim... que pena...Vai ver é por isso que os filhos mais velhos acham que as mães têm preferência pelos menores.
Não é isso.
Só tentamos com eles, esticar uma fase que fatalmente acabará.
Quem dera não crescessem os filhos.
Quem dera pudéssemos tê-los nos esperando ansiosos depois do dia cansativo.
Quem dera viver a vida fugindo deles pela manhã para não ver que choram a nossa ausência.
O tempo nos leva tudo...
Eles vão crescer e vão me deixar, eu sei!
Pensar sobre isso me entristece profundamente.
Me caem as lágrimas...
Não quero pensar nisso agora.
Vou continuar a dar-lhes o melhor que tenho.
Assim tenho certo que voltarão nos fins de semana me visitar...
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Tivemos mais algumas brigas depois de encerrada a terapia e numa dessas, tranquei a porta da casa para que o Moacir não entrasse. Lembro dele correndo atrás de mim como um louco na rua, mas eu gritei e ele me soltou. Ele não teve tempo nem de pegar seu celular.
Eu aproveitei para esconder celular e carteira com seus documentos pessoais. Coloquei-os dentro do puxa-saco, junto com as sacolas para lixo. Mas por mais que eu fosse rápida, ele era muito mais rápido que eu.
Fui trabalhar acreditando que ele não poderia fazer nada sem documentos e sem roupas. Mas ele fez. Sem que eu soubesse, ele tinha a chave da casa, no quartel.
Me esperou ir trabalhar para entrar na minha casa e pegar suas coisas. Menos a carteira e o celular escondidos.
Sempre o achei muito inteligente, mas tinha horas que me parecia um idiota.
Se tivesse ligado no seu celular teria encontrado facilmente. Quando voltei, tinha levado até sua televisão. Fiquei com muita raiva, mas não paramos por aí.
Logo que cheguei em casa, recebi um telefonema da delegacia. Um policial queria saber o que tinha acontecido pois "seu Moacir" tinha ido lá reclamar que eu estava com seus documentos pessoais.
Desliguei o telefone dizendo para o policial que em menos de 5 minutos eu estaria lá e assim o fiz.
Me pelando de medo e muito nervosa bati na delegacia que já estava fechada para atendimento ao público e entrei pelo portão lateral, por onde certamente entram os criminosos.
Lá dentro com cara de homem ofendido estava um Moacir fardado acompanhado de seu comandante, um policial civil e eu, uma mulher de pouco mais de um metro e meio.
Não sei de onde me veio toda a força que me veio mas acabei com a moral dele na frente de todos. Se ele queria se fazer de vítima de uma mulher desequilibrada, seu defensores se depararam com uma professora honesta, trabalhadora e mãe de família que coloca uma pessoa em sua casa com boa-fé e agora está passando por uma situação vexatória enquanto seus filhos estão sozinhos em casa. Contei que ele entrou em minha casa com uma chave que ele copiou, sem autorização minha.
O comandante do bombeiro não pronunciou uma única palavra e ficou de cabeça baixa o tempo todo. O Moacir me fuzilava com o olhar e o policial tentava me convencer a entregar a carteira com os documentos dele e eu convencia todos eles de que o Moacir os tinha manipulado e que agora estavam todos passando por fanfarrões.
Fui embora dizendo que no dia seguinte certamente entregaria tudo o que era dele, desde que ele me desse o que era meu e o que eu havia gasto com ele.
Cheguei em casa muito nervosa e chorando.
Tenho raiva de mim, pois choro facilmente...
Na manhã seguinte o comandante me ligou pedindo para nos encontrarmos para uma conversa informal. Sugeri que viesse até minha casa e ele o fez, sem demora.
O que se seguiu foi um pedido de desculpas regado de grandes revelações sobre o homem que tinha tornado minha vida um inferno.
Ficamos conversando por quase duas horas.
Agora eu entendo bem o porque do Moacir continuar comigo depois de tantas coisas. Ele me odiava e a cada dia mais. Seu objetivo era me destruir. Inicialmente uma destruição do coração, mas depois disso comecei a ver que ele queria mais que isso.
A conversa com o comandante resultou na transferência do Moacir para Telêmaco Borba.
Ouvi muitos conselhos do comandante que me contou um pouco de sua vida e de como se livrou do alcoolismo. Posso dizer que nos tornamos amigos, mesmo que depois nunca mais nos vimos.
Fiquei sabendo que uma das preocupações do comando era o porte de armas do Moacir, que nos dias de serviço gastava horas desmontando e limpando armas com uma obsessão assustadora. Disse ele que o Moacir fumava compulsivamente.
Nossa, como ele podia fumar se eu nunca tinha percebido nada? A mim sempre falava contra o cigarro.
Não eram as primeiras e nem seriam as últimas mentiras dele.
Depois dessa visita o Moacir demorou 15 dias para voltar a me procurar, mas voltou e voltou para dentro da casa também.
E assim começamos uma outra rotina doentia. Ele voltava, e sempre me presenteava. Ganhei muitas coisas, muitas roupas, sapatos, móveis, acessórios. Ele as vezes escolhia, e as vezes me levava escolher. De certa forma me comprava. Mas o preço que eu pagava depois era bem caro.
Quando ele ia embora eu ficava muito nervosa, sem comer, sem dormir por uns 3 dias e quando voltava a vida normal ele aparecia, para decepção dos meninos. O ciclo recomeçava.
Como eu pude ser tão idiota? até hoje não consigo entender.
A delegacia, o Comandante e Davi
O frio de hoje está horrível. Estou com sono. Amanhã, sendo quinta-feira, dormirei até tarde... não vou tirar o Pedro da cama hoje, vou dormir agarradinha com meu docinho...maravilha!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Estou com muita dor no olho. Eu sabia que esse negócio de lavar os olhos com shampoo neutro só serviria pra piorar ainda mais minha dor. Semana passada já me apareceram terçóis e hoje estou com mais dois.
O jeito é ir a outro médico logo que tenha o resultado dos exames.
O jeito é ir a outro médico logo que tenha o resultado dos exames.
Vou dormir confiante que amanhá isso estará melhor.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Estou ultra cansada, o dia foi de muita correção de avaliações. Não tem nada mais exaustivo do que recuperar conteúdos com alunos que nem conteúdo têm.
É frustrante ver os resultados. Poucos são comprometidos com sua aprendizagem.
Semana passada uma turma de alunos me procurou, pois disseram não ter obtido ação da equipe pedagógica e nem da direção. Hoje foi a vez das tias que trabalham na escola. Bateram na sala que eu estava e me pediram ajuda. Estavam com medo da reação de um aluno cheio de problemas. Fui ajudar...
Acho engraçado tudo isso... gosto de saber que têm gente que reconhece meu trabalho e meu caráter.
Se por um lado isso me dá prazer, por outro me traz uma angústia enorme.
Ainda não consigo olhar só para o lado bom das coisas... mas logo vou conseguir...
Enquanto isso vou dando risada das idiotices que me cercam...
Estar sempre em busca de fazer o certo me dá a tranquilidade de ser tratada injustamente... Com isso posso ver o quanto as pessoas se equivocam e se amedrontam... metem os pés pelas mãos.
Falam mais que a boca e são pegas constantemente em mentiras e trapaças. Não tenho pena, tenho nojo de gente assim...
Que raiva de ver gente incompetente agindo como se fosse competente.
Não estou estabelecendo nenhuma conexão textual... vou parar por aqui...
Dormir que amanhã tem mais um dia cansativo.
É frustrante ver os resultados. Poucos são comprometidos com sua aprendizagem.
Semana passada uma turma de alunos me procurou, pois disseram não ter obtido ação da equipe pedagógica e nem da direção. Hoje foi a vez das tias que trabalham na escola. Bateram na sala que eu estava e me pediram ajuda. Estavam com medo da reação de um aluno cheio de problemas. Fui ajudar...
Acho engraçado tudo isso... gosto de saber que têm gente que reconhece meu trabalho e meu caráter.
Se por um lado isso me dá prazer, por outro me traz uma angústia enorme.
Ainda não consigo olhar só para o lado bom das coisas... mas logo vou conseguir...
Enquanto isso vou dando risada das idiotices que me cercam...
Estar sempre em busca de fazer o certo me dá a tranquilidade de ser tratada injustamente... Com isso posso ver o quanto as pessoas se equivocam e se amedrontam... metem os pés pelas mãos.
Falam mais que a boca e são pegas constantemente em mentiras e trapaças. Não tenho pena, tenho nojo de gente assim...
Que raiva de ver gente incompetente agindo como se fosse competente.
Não estou estabelecendo nenhuma conexão textual... vou parar por aqui...
Dormir que amanhã tem mais um dia cansativo.
domingo, 23 de setembro de 2012
A sessões de musicoterapia tomaram um rumo óbvio: acabei por usar o Marcelo para me livrar da ansiedade da atualidade. Ficava o tempo todo da consulta falando sobre as coisas que o Moacir me causava e eu achava que era culpada.
Como bom terapeuta, ele ficava me ouvindo 90% do tempo. De música, me lembro apenas uma vez que ouvi. Das 10 sessões, apenas uma... se dependesse de mim, teria que mudar o nome da terapia. Hoje sei que perdi dinheiro em perder nosso tempo com o Moacir.
Na época tudo o que me movia era a paixão que eu tinha.
Lembro que quando eu chegava das sessões, encontrava um Moacir emburrado e afastado. Eu tentava fingir que não estava percebendo seu desgosto pelas sessões, dizia que precisava ir até o final, pois já havia pago tudo. Ele muitas vezes sugeriu que eu tinha um caso com o terapeuta, do contrário facilmente pediria meu dinheiro de volta, visto que não estava surtindo efeito algum.
Eu pensei mesmo em não ir mais, mas uma força maior me fez permanecer.
Quando chegava das sessões eu deitava por alguns minutos no colo dele para descansar e logo em seguida ia preparar a janta. Numa dessas deitadas pude sentir que ele fez o sinal da cruz nas minhas costas. Esse gesto não seria nada se não fizesse parte de uma crença do Moacir.
Ele acreditava enfraquecer o inimigo fazendo esse sinal em suas costas. Me lembro perfeitamente bem que meio sonolenta levantei de sobressalto e olhei em seus olhos assustada. Ele fez como se nada tivesse acontecido. Questionei, mas acabamos a discussão com ele me dizendo que as sessões realmente não faziam o menor efeito.
Numa outra vez, cheguei correndo e fui preparar uma sopa de feijão com macarrão que ele adorava.
Acabamos a janta numa situação muito chata. No prato dele, justo no dele, tinha um cabelo meu. O Moacir empurrou o prato com nojo e ficou sem jantar. Perguntei se queria que eu fizesse alguma outra coisa, mas ele se recusou.Visivelmente tinha medo de mais cabelos... ao lembrar disso agora, me sindo angustiada... Minha comida, minha casa, meu cabelo, minha vida e ele me humilhando. Os meninos em silêncio absoluto e eu sofrendo por dentro.
Num outro dia enquanto eu cortava cebolas ele fez o seguinte comentário enquanto olhava minha ação:
"Esses dias lá no quartel o soldado tava cortando cebolas desse jeito e eu perguntei se ele estava fazendo comida pra porco."
Que graça teria de viver com uma pessoa assim? Só muito mais tarde eu iria descobrir o porque de me submeter a algo tão cruel.
O Marcelo começou a me atender na sua casa, num consultório nos fundos. Essa mudança se deu justamente com o início do meu tratamento. Olhando daqui, posso até acreditar que era providência divina.
Sua casa ficava na mesma rua do quartel dos bombeiros. E mesmo assim só passei lá uma única vez.
E não houve necessidade de mais nenhuma...
A essa altura eu já tinha todos os telefones do terapeuta que me recomendou ligar a qualquer hora, caso precisasse.
E eu liguei uma hora depois...
Antes de voltar para casa, resolvi passar no quartel para dar um beijo no Moacir.
Ele veio me receber com uma certa impaciência que me incomodou. Perguntei-lhe o que estava fazendo e ele rispidamente me disse que estava cadastrando umas ocorrências no computador.
Pedi para ver, algo ali estava meio esquisito. Sua agressividade sem nenhuma justificativa me convidava a entrar.
"Posso ver o que você está escrevendo?"
"Por que? São ocorrências, estou no trabalho."
"Sim, eu sei, mas eu gostaria de ver."
"Não, você não quer ver as ocorrências, mas se estou conversando com alguma mulher. Estou de saco cheio de seus ciumes."
"Posso?"
"Vá, mas fique sabendo que se você entrar, estará tudo acabado entre nós."
"Tá, eu aceito correr o risco."
Não precisei de mais do que um minuto para constatar que o que ele estava fazendo era outra coisa, bem diferente.
No computador, estava aberta a página de emails pessoais dele e pude logo perceber que ele vinha trocando emails com uma mulher.
No que consegui ler, dizia que ele não podia continuar os encontros, pois queria ficar só por um tempo, por causa das dívidas. Não pude ler mais nada. Ele entrou na sequência e desligou o computador da tomada.
Levantei, olhei em seus olhos e disse:
"Valeu a pena pagar o preço!"
Saí do quartel sem fazer nenhuma cena de mulher traída.
Mas isso duraria pouco tempo.
Como cheguei em casa nesse ou em outros dias de angustia e ansiedade em grau elevado, não sei, mas o fato é que cheguei e num rompante de fúria arranquei os auto-falantes e o rádio do carro que eu tinha comprado. Tudo a meu jeito, destruindo tudo. Liguei para o terapeuta para ver o que eu devia fazer para me acalmar e só lembro de ouvi-lo dizer que achava que eu demoraria mais tempo para ver o que estava acontecendo, que eu estava de parabéns. O certo seria tomar um banho e fazer o exercício de respiração.
Claro que passados alguns dias, o Moacir me dobrou e estava aqui em casa novamente e ainda me culpando de ter feito estragos no seu carro.
Engraçado que quando estamos doentes da alma, não enxergamos o óbvio e nos deixamos levar por aquilo que queremos que seja verdade. Isso tudo é inconsciente.
Comecei a tomar remédio antidepressivo fortíssimo.
A essa altura a minha antiga ajudante já tinha ido embora de casa e quando me viu na rua, me abraçou e disse:
"Roxana, como você está feia, abatida e sofrida. Menina largue mão dessa vida. Pare com esses remédios. Você tem 2 filhos que precisam de você."
Não ouvi nada... As doenças da alma nos fazem egoístas e cegos.
O remédio me alterou todas as funções. No primeiro dia que o tomei estava na escola, aproveitei o lanche das 10. Exatos 30 minutos comecei a passar muito mal. Tudo girava e eu me senti tonta. Não pude continuar na escola. Voltei pra casa e passei o sábado todo de cama.
Perdi o desejo sexual e a fome. Esquecia o que estava fazendo e não tinha ar para concluir uma explicação na aula. E apesar de todos esses sintomas e do meu terapeuta me alertarem eu achava que esse era o caminho. Precisava me curar para poder merecer o Moacir e dar para os meninos uma família de verdade.
As reações eram muito fortes e eu mesma decidi que ia parar de tomá-lo algum tempo depois. Fiz essa escolha, pois não vi resultado algum na nossa vida conjugal.
Continuei a sessões somente até a que eu já havia pago. Outras não me pareciam úteis. Cheguei a essa conclusão, mesmo depois do Marcelo me contar que o Moacir o havia procurado para contar sua "versão" da história. Como se isso fosse necessário.
O Marcelo me alertou de todas as formas, mas eu ainda achava que todos estavam conspirando contra minha felicidade, menos o Moacir.
A única coisa boa dessa loucura foi que perdi peso. Estava com 45kg e me achava ótima. Há quem diga que eu parecia um zumbi.
Sem terapeuta, sem pais para me proteger voltei a ficar exatamente como o Moacir queria... sozinha para ele continuar a sua tortura.
E obteve resultados muito proveitosos para sua mente doentia.
A terapia só funciona se a pessoa quiser
Tem sido muito ruim falar desse assunto. Mas certamente vai me fazer lavar a alma definitivamente.
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