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domingo, 11 de agosto de 2013

Hoje a tarde sonhei que estava subindo a serra do mar num carrinho de rolimã. Algo tão real e tão maluco que me faz pensar que tipo de ligação existe entre a realidade e o subconsciente.
Tive também um outro sonho, mas nesse momento não consigo me lembrar. Sei que são sonhos que aparentemente não têm nada a ver com o meu dia-a-dia. Um dos próximos livros que quero ler é o do Freud sobre os sonhos. Deve trazer algumas respostas.

Depois que escrevi ontem, realmente não consegui deixar de pesquisar sobre o sequestro. Encontrei um documentário alemão que mostrava o cativeiro real. Nossa algo muito maluco.
Também vi uma reportagem da Natacha para o Jornal Nacional de uma televisão de Portugal. 
Pena que o filme não foi lançado aqui no Brasil ainda. Pena também por terem falado tão pouco do sequestrador. Eu queria saber o que a mãe dele falou, os poucos amigos, os vizinhos...

Desde menina me interesso muito pelas questões psiquiátricas. Pensava até em fazer medicina, mas as aulas de anatomia me demoveram da ideia. Se a psiquiatria me fascina, a morte me assusta. Mais que isso, me apavora. Não aprendi a conviver com ela. Conto nos dedos das mão quantos velórios e enterros fui obrigada a participar e mesmo assim, acho que somando tudo não passei mais de duas horas na presença dos mortos.
Não ter me tornado uma médica psiquiatra não me afastou da vontade de entender a mente doente. Gosto de ler sobre o assunto e dos filmes que tratam disso. 


O dia dos pais foi absolutamente tranquilo aqui em casa. Os meninos ligaram para o pai e o Pedro também falou com ele. Não me sinto mais desconfortável com isso. Essa é a nossa realidade. O Pedro tem um carinho pelo João e o João também gosta dele. Sei que vai chegar um dia que precisaremos conversar sobre o assunto, mas não quero me preocupar com isso agora. 
As vezes ele lembra do seu genitor e eu mudo de assunto. Também penso que não é hora de falarmos sobre isso.  
Por hora me basta saber que meu pequeno homenzinho será Homem como os exemplos dos Homens com os quais ele convive. Seus irmãos têm lhe ensinado o que precisa saber sobre hombridade e caráter. 


Hoje tive um desconforto de ansiedade na hora que fui ao mercado com o Pedro. Mercado lotado e o menininho querendo andar nos detestáveis carrinhos adaptados. Como não deixei, ficou chorando boa parte do tempo. Fomos buscar frango assado e precisamos esperar um pouco. Foi aí que comecei realmente a passar mal. Tive que me controlar muito para não deixar transparecer meu descontentamento com a aglomeração e a espera. Cheguei a suar. Essa sensação é a mesma que eu sentia alguns meses atrás. Preciso relatar isso ao dr. amanhã. É horrível não conseguir controlar o próprio corpo. É  horrível saber que exagerei na sensação de estresse.  
Minha ansiedade criou força hoje, mas não foi meu consciente que gerou-a.
Maluco isso...

sábado, 10 de agosto de 2013

Silêncio para poder digerir a difícil história que acabei de ler.
Enquanto minha vida estava de cabeça para baixo, havia uma menina que crescia sofrendo as maiores violências. Tirei do livro algumas boas lições. 
Preciso pensar nelas e nada melhor do que uma noite gelada de sábado... 
Certamente vou pesquisar sobre esse sequestro e ainda quero ver o filme.

A manhã é dia dos pais e pela primeira vez, em anos, não sinto absolutamente nada sobre isso...

O Pedro ontem me olhou nos olhos e me perguntou: "Mãe, você se sente feliz comigo?"
O que posso responder ao meu docinho depois disso?
Abracei-o forte e respondi: "Muito, sou a mãe mais feliz do mundo!" Ele me abraçou e por alguns instantes esqueci do cansaço da semana e me permiti ser apenas mãe.


A temperatura despencou. Precisamos de chuva, mas essa não deu o ar da graça. 




quinta-feira, 8 de agosto de 2013

13 de janeiro - quarta

Hoje o dia foi tão legal. A mamãe falou com o papai logo cedo. Ela ficou bem contente. Saímos passear. Demos tanta risada. Queria que todos os dias fossem assim.


14 de janeiro - quinta

Eu vou viajar com a mamãe. Vamos para a praia. Eu sei que a mamãe queria levar meus irmãos, mas eu estou ocupando muitos esforços dela. Que pena não estamos 100% felizes.
O remédio que a mamãe tá tomando está tomando faz efeito. Ela está bem mais calma. Tem hora que ela para pra descansar. Imagine só!? E o mais importante é que está se alimentando bem. Assim eu fico mais tranquilo.
Vou me segurar para não nascer nessa viagem.


15 de janeiro - sexta

Estamos na praia, tudo aqui é tão lindo.  A mamãe está sorrindo o tempo todo. O sol, o mar, a areia... são tão gostosos. Que alegria poder estar aqui. Mamãe gosta de um cheiro estranho de uma árvore que ela disse que é flamboaiã. Só ela que gosta, ninguém mais gosta desse cheiro.
O papai achou maluquice a gente ter vindo pra praia, mas acho que ele ficou feliz por saber que a mamãe está bem. Ele devia estar aqui pra gente ficar mais feliz.




Hoje acordei as nove horas e isso foi bom, mas desde a hora que saí da cama não parei um minuto sequer.
Como o Pedro está em casa esses dias, não pude ficar em silêncio para pensar um pouquinho na vida. Tudo bem, não descansei, mas a companhia dele é uma alegria para mim.
Fomos marcar meu médico. Segunda-feira tenho que convencê-lo de que preciso trocar o remédio.
Estou me incomodando com meu apetite. Comecei até a fazer um regime. 
Cortei o cabelo semana passada e ainda acho que está muito fraco, então fiz hoje a escova inteligente. O cheiro é muito ruim, mas pior mesmo é a dor nos olhos. Como diz o ditado: Sofre rosa, para ficar formosa.
Essa escova  realmente é uma maravilha. Eu mesmo faço em mim.
Comprei os produtos e aplico sozinha. Fica ótimo.
Desde a adolescência eu mesma cuido do meu cabelo. Todas as vezes que vou ao salão, acho que não fica tão bom. Só tive uma cabeleireira que realmente me agradava, mas ela se mudou. 
Só vou ao salão para cortar meu cabelo ou quando estou com preguiça de lavar o cabelo.
Até as luzes sou eu que faço. 
Claro que já fiz algumas besteiras. Na adolescência resolvi pintar meu cabelo de preto azulado, pintei também minha testa e minhas mãos. Levou dias para conseguir tirar as manchas e convencer a Rita que as meninas adoram inventar moda.
Outra grande besteira foi quando resolvi pintar meu cabelo preto-azulado de acaju acobreado. Fiquei parecendo uma puta pobre, só que com as cores invertidas. Tive que ir ao salão para cortar o cabelo e descolorir. No final acabou ficando bom.
Nunca me preocupei muito com as besteiras e os cortes radicais... cabelos crescem.
Mas a pior besteira foi quando comprei uma escova inteligente que dizia no rótulo que era natural e saudável.
A Carol estava aqui comigo enquanto eu passava o produto. Na hora que fui fazer a escova, meu cabelo se quebrou inteiro. Foi horrível de ver que eu tinha feito uma grande besteira, mas já estava feito. O jeit foi dar risada... Cabelos crescem... O que me preocupa são outras coisas...

Tenho tido sonhos bem malucos e bastante reais durante o sono.
Me sinto muito mais calma e estou com medo de parar o tratamento e voltar a ter ansiedade.
Também não quero mais tomar para mim os problemas dos outros. Durante esses meses, tenho ainda ouvido meus amigos e dou-lhes conselhos, mas não fico angustiada ou ansiosa com problemas que não são meus. Nem os meus problemas estão me preocupando tanto, aliás nem sinto que são realmente problemas.
A única coisa que me chateia é quando não consigo fugir dos pensamentos que vem a cabeça.
Preciso aprender a sublimar os sentimentos motrizes. Mas por enquanto não estou com vontade de pesquisar sobre isso.

     
 Querido neto-leitor, estou com saudade de falar com você, mas esses dias não ando com tempo. Correria... muita correria. Mas logo tudo se acalma...
Um pouco é culpa do Pedro. É, você vê esse homem sério e nem consegue imaginar o quanto ele  era foguetinho quando pequeno.
Agora mesmo, ele está com meu tablet assistindo desenho em espanhol. Ultimamente é assim. Ele quer ver desenhos em espanhol e os encontra sozinho.
Se eu o tiro do  computador ele entra no tablet ou algum celular e logo está vendo Peppa Pig ou Calliu em espanhol.
Vai saber porquê.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Às vezes me dá uma dor ao me virem algumas lembranças.
Não gosto quando sou surpreendida por elas.
Tenho mantido minha mente ocupada com coisas boas, mas infelizmente não consigo controlar o que penso.

O trabalho está muito tranquilo. Os alunos do 3º ano me disseram hoje que não sabem porque estavam com pé atrás comigo. Que eles gostam de mim. Eu disse a eles que possivelmente foram induzidos a pensar assim. E sugeri que as pessoas que falam mal da gente no fundo sentem uma certa inveja. Eles gostaram bastante disso e concordaram comigo.
Acredito que agora minha reputação profissional está bem fundamentada. Não há mais como os boatos serem maiores do que a verdade. Sei que foi por isso que a Neusa se fez minha inimiga. 
E por falar nela, como não consegue me provocar, preferiu voltar a me dirigir a palavra. Eu sou uma inimiga meio diferente. Não gosto de entrar na briga, mas quando entro é para vencer. 

Minha cabeça está doendo por causa dos esforços da ginástica, mas hoje foi bem legal. Pena que não estou conseguindo emagrecer, do contrário estou com 54 kg. Amanhã preciso marcar consulta. Ou esse doutor troca meu remédio ou vou ser confundida com uma baleia na praia.

As aulas do Pedro estão suspensas por 3 dias. Uma aluna foi diagnosticada com H1N1. Que medo!
Estamos com dor de garganta novamente. O clima seco está contribuindo para essas gripes e resfriados.

Amanhã é dia de ficar em casa... que bom poder dormir até mais tarde.



 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013



A vida só faz sentido quando entendemos que estar vivo é apenas um golpe de sorte.
Gosto desse menino...

Não me sinto bem hoje... dor de cabeça e garganta novamente e a morte da menina ainda a me entristecer.
Noticiaram no jornal que a causa da morte foi gripe, mas não A e sim B. Algo mais incomum e menos letal, mas como estar vivo é só uma questão de sorte, o que dizem os índices não valem nada. Aos que permanecem no jogo só resta lamentar.
Segundas-feiras são desagradáveis por natureza e quando as enfrentamos com humor em baixa, ela nos vence e nos faz dormir com dor de cabeça.
Fora as coisinhas ruins estou amando dar aula nesse novo 3º ano. Iniciaram bem empenhados e me sinto bem contente em estar com eles.
Ainda bem que tenho meu trabalho que tanto me faz bem.




Sabe a história dos 3 porquinhos?
 Me sinto nessa historinha...
Sou o "lobo mal"?
O porquinho narrador faz a opção pelo lado que vai defender.
Tudo bem, entendo de direito, embora seja canhota.
Como já conheço a história, posso mudar o final...
Nem vem, que não vou entrar pela chaminé...
Aliás, nem vou tentar soprar nada... prefiro carne de capivara...


Fiel leitor endoidecido, se acalme logo voltamos as estórias que ficaram incompletas. Só volto a elas quando me sentir menos angustiada e insignificante. Hoje só penso que nada faz sentido e que estou viva por uma sorte inexplicável que me assola mesmo sendo eu tão azarada.


domingo, 4 de agosto de 2013

Não foi nem meia hora para que eu descobrisse o que me deixou angustiada. 
É estranho, mas eu estava com uma sensação de que algo ruim estava por acontecer e aconteceu.
Logo depois que terminei minha postagem aqui, fui jogar no Faceboock e vi que uma menina de Castro tinha morrido. Liguei para a Vilmara, pois vi que elas eram amigas. Do outro lado da linha ela me atendeu chorando, não lhe reconheci a voz. A garota era sua aluna e estava jogando basquete em Toledo, pela seleção de Castro. 14 anos, 9º ano na escola e cheia de sonhos. A notícia sobre a morte é de que suspeitam ser H1N1. Uma fatalidade.
E a vida é cheia delas...
Quanta dor, quanta tristeza, quantas perguntas...
Não consigo imaginar o tamanho da dor que sente uma mãe que perde seu filho e quando penso nessa possibilidade meu coração se aperta. Já perdi tanto e no entanto o mais importante, aquilo que realmente vale a pena, eu tenho. Meus filhos são infinitamente melhores e maiores do que qualquer outra coisa que perdi.
Quando me deparo com pessoas com dores presentes, me sinto tão pequena, tão egoísta, tão mesquinha.
O que é perder uma mãe que optou por me deixar?
O que é perder um marido que me agredia?
O que é perder o sonho da família perfeita construída nos delírios de um psicopata?
O que é ser mãe solteira aos 34 anos?
Eu tenho tempo de me refazer...
A menina dos sonhos adolescentes não pode mais nada...
Hoje só desejo que meus queridos alunos e amigos que se entristeceram com essa morte, permaneçam com esse sentimento de que a vida é mesmo efêmera e precisamos vivê-la o melhor possível, porque de fato um dia nos despediremos para sempre...








Estou me emocionando especialmente com a leitura desse livro. 
A própria Natascha conta como foram os 8 anos e meio que passou nas mãos de seu sequestrador.
"Nunca vá embora com raiva. Nunca se sabe se vamos nos ver de novo!"
Essa frase é dita por sua mãe e é realmente a mais pura verdade.
Durante todo o tempo do cativeiro a garota se martirizava por ter sido sequestrada num dia em que foi para a escola brigada com a mãe.
Essa lição é na verdade uma paráfrase da Efésios 4, 26 que diz: não se ponha o sol sobre a vossa ira.
A vida é muito imprevisível para perdemos a paz por não termos aproveitado o tempo com as pessoas que amamos, apenas para sermos felizes. Perdemos tanto tempo com coisas que não fazem muito sentido e acabamos ficando com a sensação de que podia ter sido diferente.
Hoje eu só quero pedir que Deus me faça olhar mais para o que realmente importante e que ninguém passe por mim sem sentir que quero lhes fazer o bem, somente o bem.

sábado, 3 de agosto de 2013



Quem me diz
Da estrada que não cabe onde termina
Da luz que cega quando te ilumina
Da pergunta que emudece o coração

Quantas são
As dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer

Vai saber
Se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim

A gente é feito pra acabar
Ah Aah

A gente é feito pra dizer
Que sim
A gente é feito pra caber
No mar
E isso nunca vai ter fim


Com uma tv de 42 polegadas com mais de 100 canais e eles preferem dividir uma telinha de 7' e um fone de ouvido  para assistir um filme. Só quem tem filhos sabe o que é isso. 

Apesar de tudo estar  bem tranquilo, nenhum problema, me sinto angustiada. Não sei, mas parece que as vezes sinto algo que não faz parte do que estou vivendo. Algo como sentir o que sente outra pessoa. Tomo para mim a dor do outro e no caso de hoje nem sei que é que está sofrendo. 
É uma tristeza estranha que me traz a lembrança de coisas ruins que eu vivi. Não gosto disso.
Há muito não me sentia assim... 
Talvez minha angústia se deva as emoções do livro que estou lendo, ou ainda ao filme que assisti agora pouco, ou ao fato que meu adolescente vai sair de novo e vou ficar esperando que chegue são e salvo.


Hoje também tive uma vontade de bordar ponto cruz. Nossa que vontade de que deu! Mas acabei deixando a vontade passar, pois tenho que terminar a blusa que comecei para o Pedro. Preciso me policiar para não deixar as coisas pela metade. 
Tenho que terminar a caixa de jornal que parece que está encantada.
Tantas coisas por fazer e eu não consigo dar conta.
Hoje seria um bom dia para ficar sozinha em silêncio, só ouvindo o vento lá fora...
Amanhã falo do livro e do filme.